Setor vive expectativa da abertura de novos mercados

 

03/02/2012 

A decisão recente dos Estados Unidos em abrir o mercado interno para a importação de carne suína brasileira deixou muitos produtores animados.

Esta é considerada uma das mais importantes notícias para o setor, tendo em vista que a expectativa é que a medida reflita em novos negócios, inclusive com outros países. “A simples chancela dos Estados Unidos para a abertura do mercado para a importação da carne suína brasileira é uma notícia fantástica”, comemora o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Carlos Francisco Geesdorf, em entrevista à reportagem de O Presente, ontem (1º).

De acordo com o dirigente, mesmo que os Estados Unidos nem cheguem a comprar a carne suína, ou que comprem um volume baixo, o simples fato de atestarem a qualidade do produto brasileiro pode fazer com que novos mercados se interessem em fechar negócios com o Brasil, com destaque principalmente para a Ásia. “Não sei se isso é uma consequência direta da decisão dos Estados Unidos, mas há poucos dias havia uma missão japonesa que veio verificar frigoríficos de Santa Catarina. Então, com certeza, é um mercado em que a tendência é abrir em função da chancela americana, e que pode acontecer o mesmo com a Ucrância, Coreia, Hong-Kong. O fato dos Estados Unidos atestarem a qualidade da carne, principalmente a parte sanitária, que é o grande problema alegado para que houvesse o embargo russo, é muito bom”, destaca. 

Por outro lado, Geesdorf lembra que a União Europeia está passando por uma crise econômica. Mesmo que aqueles países não comprem carne suína, eles adquirem produtos da Ásia de uma forma geral. “Se a União Europeia diminuir ou até mesmo parar de importar produtos asiáticos, como os países da Ásia vão continuar comprando carne brasileira para suprir suas necessidades? Ou seja, existe toda uma balança comercial em jogo. São somas de vários fatores que não nos permitem dizer, em um primeiro momento, se o ano de 2012 será positivo ou negativo. Sempre torcemos para que seja bom, mas atualmente o quadro não é positivo”, lamenta.

O presidente da APS salienta que o quadro da suinocultura está incerto para o futuro. A única certeza é que a venda de carne vai aumentar, garante. “Mas a dúvida é a que preço e a que margem de lucro. Se o custo de produção ficar alto, não adianta vender um volume muito maior de carne se a margem de lucro for pequena ou até mesmo negativa”, comenta. 

Preços 

Conforme o dirigente, o custo de produção continua sendo um problema ao produtor, levando-se em conta que os valores pagos no milho e no farelo de soja estão altos. “A tendência é que não haja uma redução (nos preços), até devido à estiagem, que agravou um pouco mais a situação. Apesar de haver notícia de que a área cultivada com safrinha este ano será entre quatro e cinco vezes maior, quando se depende do clima nunca podemos afirmar nada. É preciso trabalhar com a realidade do momento, que é ruim”, destaca. “Estamos pagando em torno de R$ 30 a R$ 31 o saco de milho. Então não se tem praticamente nenhuma margem de lucro, sendo que em alguns casos os produtores estão até trabalhando no prejuízo”, acrescenta.

Estiagem

Questionado se a quebra na produtividade da safra de verão no Estado já tem aumentado o custo de produção, Geesdorf diz que sim, porque mesmo não tendo nenhum reflexo ainda em estoque, a estiagem e as perdas geram especulações, que ocasionam uma elevação nos preços. “Já tem produtor desesperado atrás de milho da Conab. Então começa a ter essa agitação toda na atividade, o que não é bom. Aliado a isso, surge a notícia recente de que a Argentina está fechando o mercado de importação de carne suína. A compra não era muito significativa, mas são 40 mil toneladas/ano que deixam de ser exportadas para aquele país. Enfim, vivemos sempre com boas e más notícias, que no fim não se tem muito como precisar o que vai acontecer”, expõe.

Embargo russo

Já quando perguntado se o mercado brasileiro vive a expectativa do fim do embargo russo, o dirigente paranaense opina que este já é um assunto que faz parte do passado. “Se analisarmos notícias recentes, a informação é de que a importação russa de carne suína registrou um aumento de 10% a 12% em 2011 em relação a 2010. Se a Rússia não comprou nada do Brasil, logo, comprou de outro lugar”, justifica.

O presidente da APS considera não ser possível a Rússia se tornar um país autossuficiente na produção de suínos, tendo em vista o clima naquele país. “Seria preciso manter a produção fechada e com uma proteção térmica muito eficiente, o que custa muito caro. O custo de importação de grãos para alimentar o rebanho também não é nada barato. Eu realmente não acredito em autossuficiência, mas a Rússia diminuiria muito a importação. O país deve ter encontrado outro fornecedor parceiro que comercializa carne mais barata, pois a Rússia comprou mais carne em 2011 do que em 2010”, salienta.

No entendimento de Geesdorf, os produtores brasileiros não podem ficar na dependência de uma decisão russa. “Se a Rússia voltar atrás na decisão do embargo, ótimo. Porém, na minha forma de ver, o grande ganho da suinocultura em 2011 foi exatamente conseguir enxergar que podemos sobreviver sem a Rússia. Grande parte das pessoas acreditava que o dia que a Rússia parasse de comprar nossa carne, acabaria com a suinocultura brasileira, mas está provado que isso não é verdade”, enaltece. 

Consumo interno

Em relação ao mercado interno, o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores estima que deve haver um aumento no consumo de carne suína, que no Brasil está na faixa de 15 quilos por pessoa. Uma das regiões que está se abrindo para o produto, e é populacional, é o Nordeste, que atualmente consome na faixa de quatro quilos por pessoa. “Qualquer acréscimo de consumo naquela região é significativo. Eu acredito que deve haver um aumento no mercado interno de carne, apesar de que muitos economistas dizem que o poder aquisitivo do brasileiro ficou um pouco estagnado e dependemos de políticas governamentais. Porém, quem começa a consumir a carne suína dificilmente para, mesmo não sendo no mesmo volume. Quando há mais pessoas comendo, com certeza a tendência é de que o consumo aumente”, conclui o dirigente estadual.

Fonte: Jornal O Presente

 

Preço Suíno (Independente)

Toledo R$ 2,00
Cascavel R$ 1,98
Pato Branco R$ 1,98
Guarapuava R$ 2,05
Irati R$ 2,10

Preço Milho (Saca 60 Kg)

Castrolanda

Paranaguá R$ 26,25
Ponta Grossa R$ 22,84
Capal 
Paranaguá  R$ 26,40
Ponta Grossa  R$ 23,00

Atualizado em 17/05/2012 

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